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Jack Reacher: O Último Tiro /// Crítica

11 janeiro 2013

Adaptado dos livros de Lee Child, o personagem Jack Reacher não é só mais um cara durão que enfrenta o crime. Ele é uma espécie de personificação do imaginário do herói americano, que busca justiça, protege os mais fracos e procura a verdade, por mais penosa que ela possa ser. É a versão moderna para os antigos cavaleiros medievais e cowboys dos faroestes. Alguém que vive para fazer o que é certo. E acredito que seja assim que Jack Racher: O Último Tiro deve ser encarado. Uma história de faroeste que se passa em nossos dias. Não falta nem o clássico duelo entre o herói contra os vilões depois de arrumar confusão em um saloon, ou em um bar, no caso.

Dirigido por Christopher McQuarrie, responsável por vários roteiros de filmes dirigidos por Brian Singer como Operação Valquíria e Os Suspeitos, o longa começa com um atirador matando 5 pessoas em um parque. O suspeito é identificado com James Barr, interpretado por Joseph Sikora, e logo levado sob custódia. Com uma série de provas contra si, Barr pede que localizem um homem chamado Jack Reacher, o protagonista Tom Cruise. Antes mesmo que possa ser localizado, Reacher chega a delegacia e, mesmo convencido da culpa de seu ex-companheiro de exército, é levado a investigar o crime pela advogada Helen Rodin, vivida por Rosamund Pike.

Mas Jack Reacher não é um simples investigador. Com um passado recente bastante sombrio, o personagem praticamente sumiu depois de pedir dispensa do exército onde cumpriu uma carreira militar exemplar. Depois de trabalhar anos como investigador da polícia militar, Reacher desenvolveu um faro único para procurar a verdade em todos os lugares. Dono de um raciocínio afiado e de um ponto de vista único, ele é uma espécie de lenda entre aqueles com quem já trabalhou. Não possui residência fixa, não cria laços e nem leva bagagem para onde vai. É nesse excesso de confiança todo que Tom Cruise se encaixa muito bem. Com toda a bagagem que sua persona traz de outros filmes, fica fácil acreditar que Reacher existe e é capaz de executar todos os seus truques na tela. O ótimo elenco de apoio ajuda a dar peso à história, com ótimas participações de Robert Duvall e Richard Jenkins.

Na medida em que vamos conhecendo o personagem, é possível perceber a real intenção de Lee Child ao criá-lo: ser uma espécie de representante do povo. Alguém que se sacrifica para fazer o que é certo e proteger o cidadão comum da força das grandes corporações e do Estado, quando este age de forma corrupta ou equivocada. Isso fica evidente (talvez até demais) na cena em que Reacher, fugindo da polícia, recebe proteção dos trabalhadores que aguardavam o ônibus. Vemos ali o povo aceitando seu herói e ocultando-o do poder convencional, que age de forma tão intransigente com os menos favorecidos.

É no antagonista exagerado e caricato que a trama perde um pouco de força. Conhecido por seu talento como diretor, Werner Herzog peca ao criar um vilão sem carisma, sem expressão e, o que não é sua culpa, com uma motivação pífia. É a representação clássica do “homem mau” que fará o que for necessário para conseguir o que quer. Cairia melhor em um filme antigo de James Bond. Apesar disso a história corre de forma enérgica e empolgante, conforme a conspiração que Reacher descobre vai se desbaratando. Cruise, como já é de praxe, se entrega de forma impressionante a personagens com potencial físico, chegando a dirigir o carro, durante as perseguições nas ruas de Pittsburgh.

Mais do que um bom filme policial, Jack Reacher é uma introdução para um personagem que tem potencial para entrar no imaginário do cinema de ação. Além de já estar presente em mais de 16 histórias publicadas, o que é um prato cheio para os estúdios. Com o poder de Tom Cruise como herói de ação e produtor executivo, é fácil afirmar que este não será o último tiro de Jack Reacher nos cinemas.

Marton Santos

Editor do Papricast. Paga no máximo 50 pratas por uma foto do Homem-Aranha cometendo algum crime.